Servidores querem devolução do tempo perdido na pandemia

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Texto: Tribunal Ribeirão – 1 de maio de 2022

Servidores querem devolução do tempo perdido na pandemia

Veja a matéria abaixo

Entre 27 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021 -, por causa da pandemia de covid-19 -, os servidores do Poder Judiciário perderam o direito da contagem, deste período de serviço, para a concessão de anuênios, triênios, quinquênios e licenças-prêmio. Para tentar reconquistar essa perda, a Associação dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de São Paulo (ASSOJURIS), a Associação Paulista dos Técnicos Judiciários (Apatej), a Associação Família Forense da Comarca de Sorocaba (Affocos), a Associação dos Servidores do Judiciário do Estado de São Paulo (Ajesp) e entidades de classes dos servidores públicos do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, solicitaram ao deputado federal Alexandre Padilha (PT) que fizesse um projeto de lei sobre o assunto.

Nasceu aí, o Projeto de Lei Federal 46 de 2022 que tenta alterar a Lei Complementar 173 de 27 de maio de 2020, que suspendeu a contagem de tempo naquele período. A suspensão da contagem foi feita pelo Governo Federal sob o argumento de assegurar auxílio aos estados e municípios na pandemia. A lei também congelou os salários dos servidores e vedou a concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração, exceto no caso de sentença judicial com trânsito em julgado ou determinação legal anterior à pandemia.

Os servidores públicos da Saúde e da Segurança Pública foram os únicos que permaneceram com seus direitos garantidos, com a justificativa de que mantiveram o trabalho presencial normalmente, enquanto os outros setores trabalharam em home office.

Servidores querem devolução do tempo perdido na pandemia

Fiz questão de apresentar com urgência esse projeto por ser absolutamente justo. Na condição de ex-ministro da Saúde, de deputado federal que participou da Comissão Especial de Fiscalização das ações da covid-19 na Câmara dos Deputados, e de médico que atendeu no SUS durante toda a pandemia, vi a participação ativa dos servidores do Judiciário. Eles não pararam nesse período, seja no trabalho remoto e muitas vezes no trabalho presencial através dos oficiais de justiça e nas fiscalizações para garantia de direitos e cumprimento das leis”, justifica Padilha.

Segundo o deputado federal é um absurdo a não contagem do tempo de atuação desses trabalhadores na pandemia. “Oficiais de Justiça e servidores que trabalharam de forma presencial tiveram expostas suas vidas e famílias ao risco de uma doença ainda desconhecida. O que conquistamos para os trabalhadores da Saúde e Segurança vamos batalhar para conquistar para os trabalhadores do Judiciário brasileiro”, ressalta Padilha.

Assine a petição eletrônica em apoio ao PLP 46/2022

Servidores querem devolução do tempo perdido na pandemia

Segundo o diretor presidente da Associação dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, Carlos Alberto Marcos, o Alemão da ASSOJURIS, inúmeros direitos foram retirados dos servidores nos três últimos anos. “Cabe agora buscar mecanismos capazes de rever e, se necessário, revogar leis e decretos que tanto vêm prejudicando a subsistência dos agentes públicos que dedicaram e continuam dedicando suas vidas para que a sociedade receba um serviço de qualidade”, afirma. Alemão reitera ainda que o projeto beneficia servidores federais, trabalhistas, estaduais e do Distrito Federal do Poder Judiciário Brasileiro.

Segundo o site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP) no período de 16 de março de 2020 a 6 de fevereiro de 2022 o Poder Judiciário do Estado de São Paulo realizou 59,4 milhões de atos processuais produzidos desde a implantação do trabalho remoto como medida de contenção da pandemia da covid-19.

Veja aqui matérias a respeito do PLP 46/2022

O que pensa o Alemão da ASSOJURIS
Carlos Alberto Marcos, o Alemão da ASSOJURIS, preside a Associação do Poder Judiciário do Estado de São Paulo desde 2018, mas é membro da Diretoria Executiva desde 2002 (…) e analisa as conquistas da entidade para a categoria.

No comando da Assojuris, Alemão foi um dos idealizadores do projeto de lei
Tribuna Ribeirão – Qual a importância deste projeto para os servidores da Justiça?
Alemão da ASSOJURIS – O projeto do deputado federal Alexandre Padilha visa corrigir um erro uma vez que estes servidores não tiveram um dia sequer de interrupção dos trabalhos. Ou seja, mesmo com o risco de contágio, trabalharam incansavelmente pela continuidade da entrega da prestação jurisdicional à sociedade brasileira, quer de forma presencial ou pelo sistema remoto, expondo suas vidas e famílias ao risco de uma doença ainda desconhecida, cujos desdobramentos eram um mistério para a comunidade médica. Trabalho esse primordial para fazer valer o Estado Democrático de Direito, na medida em que os serviços forenses não foram interrompidos.

Tribuna Ribeirão – Quais são as principais necessidades atualmente dos servidores da Justiça?
Alemão da ASSOJURIS – São várias: a recomposição das perdas inflacionárias acumuladas de abril de 2002 a fevereiro de 2019, que totalizam 12,40%, do período de março de 2019 a fevereiro de 2021 que totaliza 10,38% e 0,80% contabilizado entre março de 2021 a fevereiro de 2022.
Também reivindicamos a readequação dos valores dos auxílios saúde e alimentação, a interrupção imediata do confisco que recai sobre os salários dos servidores aposentados e pensionistas, em função da recente mudança na base de cálculo do valor da contribuição previdenciária e a revisão da Lei que revogou o direito à isenção parcial da contribuição previdenciária dos servidores portadores de doença incapacitante.

Tribuna Ribeirão – Quais são as principais conquistas da Associação para a categoria?
Alemão da ASSOJURIS– Atualmente ocupo o cargo de diretor presidente da Associação dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, mas participo da diretoria desde 2002. Entre as conquistas temos desde a lei que concede o Adicional de Qualificação aos servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ativos e inativos, a que institui o processo de remoção de servidores e a lei que dispõe sobre a duração da jornada de trabalho dos psicólogos judiciários em trinta horas semanais.
Conquistamos ainda a Gratificação pelo Desempenho de Atividades Cartorárias (GDAC) aos ocupantes de cargos de agente administrativo, operacional e de serviço do Poder Judiciário do Estado de São Paulo além da aprovação da Lei Complementar que institui o Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Foram muitas conquistas.

Tribuna Ribeirão – Quantos servidores o poder judiciário tem atualmente no estado?
Alemão da ASSOJURIS – Trinta e oito mil cento e quarenta e cinco servidores ativos e, vinte e três mil novecentos e três servidores inativos e pensionistas.

Tribuna Ribeirão – Existe defasagem de mão de obra no Poder Judiciário no estado?
Alemão da ASSOJURIS – Atualmente existe uma defasagem de 12.542 servidores. (…)